Dias mornos. Tenho vivido dias
mornos como os dias lindos de inverno que tem feito no Rio. Por
mais que tente manter-me afastada de certos pensamentos negativos e
depreciativos, por mais que tente, a todo custo, manter meu
sorriso. Por mais que saiba que toda situação
não é definitiva e que um dia, tudo muda, que certos
erros cometidos por mim agora, na verdade não são
erros, são tentativas de concertar o que estava errado,
e se me causam angústia e privações,
são para que num futuro bem próximo possa estar
aliviada e confortável. Saibam que os erros foram cometidos
no passado e empurrei com a barriga essa situação por
quase dois anos. Não os cometerei mais.
Em meio a tudo, alguma
lição restou. Aprendi à duras pencas como
deve ser. Faço meu exercício diário de
paciência. Exercito uma virtude que não nasceu comigo
e que aprendi a cultivar ao longo dos anos. Paciência para
esperar, abortar projetos, deixar para depois. Alguns projetos, me
pergunto até quando esperarei, placidamente. Outros,
urgentes, me pergunto por que falta-me coragem. Exatamente o
primeiro passo, o combustível que faz a roda mover, a
bendita coragem! Sou covarde, a primeira coisa a ser encarada.
Não consigo deixar de lado os meus "achismos" e os "se". Tem
sempre um "se" no meu caminho e de preferência acompanhado de
um "não". "Se não". É o meu negativismo
em gotas! Esse é o meu defeito e quem não os
têm? Tenho até tentado pensar coisas boas, como
faço neste exato momento enquanto o sol está a
brilhar lá fora e o telefone toca. Isso tudo já seria
o bastante para ser feliz mas por culpa de nós, seres
humanos, estamos sempre buscando compensações. Criar
coisas que não precisamos e despertar vontades
desnecessárias. Já vive, respira, anda, vê,
fala e ouve, isso, por si, já é motivo para estar
feliz. Pense nos que sequer tiveram oportunidade de existir e de
ser, gozar de sentidos.
Eis que então,
começo a esboçar um sorriso e a aliviar meus
pensamentos sombrosos. Amanhã será sexta e nada me
aborrecerá. Passarei por cima das agrúras desse
próximo mês e continuarei a sorrir. Às vezes de
mim, às vezes dos outros, e pelos outros e com os
outros.
Ainda falta quatro meses
que estão a passar com assustadora velocidade e logo
chegará o verão. E com sua chegada, logo
surgirá o calor que aquecerá os dias quentes de
verão, assim como os meus.